O aumento no número de recuperações judiciais levanta uma questão importante: a utilização desse mecanismo tem resultado, de fato, na recuperação das empresas?
Os números recentes apontam para um cenário que exige atenção. No primeiro semestre de 2026, 6.341 CNPJs passaram por processos de recuperação judicial, considerando os casos com trânsito em julgado. Sem a aplicação desse filtro, o número chega a aproximadamente 20 mil empresas.
Além disso, segundo levantamento apresentado pelo ConJur, a proporção de empresas que passaram pela recuperação judicial e chegaram à falência aumentou de 11% para 29% em comparação com o primeiro trimestre de 2025.
Fatores que contribuem para esse cenário
Entre os fatores apontados estão:
- Juros elevados: o aumento do custo do crédito pode dificultar a reorganização financeira das empresas;
- Entrada tardia na recuperação judicial: a demora na busca por medidas de reestruturação pode comprometer as possibilidades de recuperação da atividade empresarial.
A recuperação judicial garante a continuidade da empresa?
Não. A recuperação judicial pode ser um instrumento importante para a reorganização empresarial, mas seus resultados dependem de diferentes fatores, como:
- As condições econômicas e operacionais da empresa;
- A viabilidade das medidas de recuperação;
- A capacidade de cumprir as obrigações assumidas durante o processo;
- O acompanhamento adequado das etapas da recuperação judicial.
E como ficam as empresas credoras?
Para as empresas credoras, esse cenário reforça a importância de acompanhar de perto os créditos envolvidos e os desdobramentos do processo de recuperação judicial.
A análise da situação do devedor, o acompanhamento dos prazos e a correta habilitação ou divergência dos créditos são medidas relevantes para a defesa dos interesses dos credores.
Fonte: ConJur
